O Canis é um campo de exercício para a nossa Literatura De vez em quando sai alguma coisa que merece ser registrada; agrada a alguns e nos faz bem! O "familiares" aqui não é com a letra i, para não criarmos problema com a Biologia que classificou o cachorro desta maneira.

Estamos pela terceira vez em destaque na lista dos 10 melhores blogs da semana (blogs of note), na página inicial do Blogger! Isso é motivo de felicidade para nós. Se você é novo por aqui, sinta-se à vontade e solte o verbo junto com a gente! :)

INTEGRANTES:

ROBERTO GALLUZZI
(Beto)
Nascido em 09/09/1978
Mineiro legítimo;
Finalmente um servidor público efetivo (como é bom dizer isso); E hoje delineando seus novos sonhos.

THIAGO QUINTELLA
(Tackle Berry)
Nascido em 11/04/1978
Rio de Janeiro-RJ;
advogado;
Mestrando em Ciência Política;
"O ANDANTE DO SUBSOLO"

RAFAEL MARÇAL
(Rafa - Gorfo)
Nascido em 11/01/1982
Operário da Informática;
Bem-humorado;
Pai de primeira viagem;
Marido de Primeira viagem;
O CÃO APOCALÍPTICO"

NOSSOS BLOGS FAVORITOS:

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Ana
Causos de Sônia
As maravilhas do País de Alice
Miss Lexx
Casamata
Contos Reles
Solta no mundo
Conto meus contos
Osmar
Casa Rosa de Mirela
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Confissões de um Alter Ego
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Universo Bizarro
Guilherme ponderando
Foice e Martelo Branco
Thaís e Rafael
Groo, o cara
Super Paloma Saraiva
Diários de um Gordo
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Inutilidade Pública
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Mentes Férteis
Andarilho Freak
Café Casmurro
Gerolino
Bloguisteria
Pequena Jornalista
Posso Falar?!
Rafael Marçal
Digressiva Maria
Fessora Nilza
Vida Caxxorra
Vitrine de mim

THIAGO E RAFAEL TAMBÉM ESCREVEM:

Gaveta do Autor
(Seção de prosas)

THIAGO TAMBÉM ESCREVE:

DISSONANCIA
(Coluna CANISFAMILIARES)

Contador zerado em 11/12/04
(16.723 visitas até essa data)


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Última atualização: 15/04/06

Sábado, Maio 27, 2006

É PRA SE MOLHAR

Um inglês diria que ¿estava chovendo gatos e cachorros¿, mas certamente a chuva não era só para o inglês ver. Eu tinha que desafiá-la, apesar de mínimas chances de não chegar ao meu destino ensopado.

Da portaria até a primeira esquina, da Belford Roxo com a Barata Ribeiro, tinha o que? 30, 40 metros? Não importa, mas meu casaco bege virou marrom escuro úmido. Temia por molhar inclusive a minha camisa. Escapei de duas pontas de guarda-chuva que furariam meu olho.

Esse é um dos motivos de minha aversão a este instrumento. O ícone da inutilidade. Mas enquanto esperava o primeiro sinal abrir, mesmo de baixo da marquise, tive a calça e os sapatos molhados. Entrei em uma encruzilhada mental: comprar ou não um guarda-chuva.

Não gosto de fugir às minhas tradições. Sei que guarda-chuva não me protegeria, gastaria cinco reais nesses camelôs que palpitam às primeiras gotas. Cinco reais são duas garrafas ou três latinhas de cerveja. Entretanto, a minha camisa não poderia ficar molhada, devido ao meu sério compromisso que teria.

-Me vê aquele preto ali ¿ e oferecia a nota de cinco.
-Aquele ali é dez.

Era o preço e não a qualidade, pois era um guarda-chuva maior e... mais dinâmico, sei lá. Então, fui escolher um dos que estavam dispostos no chão. Todos floridos, extremamente chamativos e delicados. Já pensava em desistir quando mirei o mais sóbrio, um azul-escuro. E lá se foram meus cinco reais, duas garrafas, três latinhas...

A capa do treco foi a primeira a sumir. Caminhava para a esquina com a Prado Junior quando o negócio se abriu. Foi um tiro. E quando aparece aquela abóbada de diâmetro insuficiente para minha proteção, vejo um humilde patinho desenhado em um dos gomos, sob duas listas onduladas a título de água da lagoa. Que gracinha, que coisa meiga!

Então, eu o patinho caminhávamos pelas ruas. Faltava cruzar a Princesa Isabel e chegar ao ponto de ônibus. No primeiro sinal, fomos bem, apesar de já pensar e dar um fim àquilo, contradizendo o mito do sumiço dos guarda-chuvas (aquele teria um destino).

Na calçada que passa para a outra pista, o sinal é mais demorado. Um tufão adolescente cismou em passar por ali e pegou de viés o meu guarda-chuva de tal sorte que era convexo virou côncavo, exatamente como nos desenhos animados. E ainda mais, destruiu dois arames de suporte dessa coisa. A água continuava em borrifadas densas, não podemos esquecer, e nesse momento encharcava o casaco e penetrava na camisa de baixo.

Patética a cena da minha tentativa de consertar o artefato. Direcionei-me contra a borrasca a fim de me auxiliar na voltar o bicho pra a posição ordinária. O sinal se abriu e eu e o patinho seguimos nossa saga. No ponto, durante pouco mais de cinco minutos, ficamos a esperar o coletivo com a indecente companhia de dois arames diametralmente opostos que me incomodavam ao tocarem na minha cabeça ou mais uma vez ameaçar meu sentido da visão. Entrei no ônibus encharcando todo o chão, além de minha pasta, o banco e minha roupa (se é que poderia molhar mais). Permaneceu semi-aberto, pois não tive paciência para fechá-lo.

Em Niterói, a chuva era mais amena. Calmamente fechei o patinho, atei aquela cordinha e mirei a Baía de Guanabara como ponto futuro e talvez final dele. Não, não poluiria ainda mais nossa baía.

Como um bom cidadão, depositei-o na lixeira mais próxima e segui meu rumo sozinho. Ensopado até à camisa, e assim permaneceria durante toda a tarde e noite. O vento só aumentava o frio. E menos duas garrafas ou três latinhas de cerveja em minha vida!

Rio de Janeiro, 26 de maio de 2006.






postado por THIAGO às 11:03

Segunda-feira, Maio 15, 2006

IDÉIAS TROCADAS COM O TÉDIO

Tenho pouca vontade e criatividade para escrever agora. O pior é usar a escrita para afastar um pouco do tédio que me aborda e já troca umas idéias comigo.

Tédio é estranho. Ele aparece junto com uma das manifestações da ansiedade e nos apresenta a preguiça. Tenho tantas coisas necessárias, úteis e inúteis para fazer, mas venho escrever digitando, coisa que não faço de primeira. Raramente penso diante do computador.

Em alguns textos que li, inclusive os da minha vó, percebo que o tédio nunca se apresenta e entra no assunto adiantando-se. Ele vem com o sentimento. Exatamente assim que ele veio à minha vô quando ela escrevia algumas coisas em 1982, nas solitárias tardes no vazio sítio.

Meu vazio é somente meu agora. Aí vem o tédio e fala de seus percalços e sofridos preconceitos que lhe arremessam a sociedade dos sentimentos.

-Claro que pode falar comigo, tédio, já entrou mesmo, não vou lhe expulsar.

-Pois é, Thiago. O melhor a se fazer nessas horas é fazer o que gosta sem que seja o verdadeiramente necessário. Largue esse livro, deixe sua mãe estudar em paz. Faça você mesmo o café e assim ajude a moça que trabalha em sua casa a se dedicar ás tarefas concernentes a ela.

-É uma boa. Chega aí na sala do computador. - E fomos para lá. - Vai uma xícara?

-Sim, quatro gotas, por favor... Não, não Thiago. Não é para escrever coisas de trabalho, esqueça isso agora. Procure um conto ou uma crônica esquecida...

-Ih, cara. Tem nada aqui, nenhuma inspiração. Já dei até uma olhada em meus companheiros literários.

-Vai escrevendo. Este café está fraco, hein? Comece com qualquer frase. Isso. Aproveita, daqui a pouco você vai fazer os serviços bancários, sairá com motivação maior para seus trabalhos.

-Boa dica, vai que dá certo.

Escrevia algumas besteiras para me dar um motivo. Quando ia lhe mostrar o texto, ele desapareceu. Estranhamente vi um bilhete escrito à tinta azul.

"Vou falar com o amor para que ele não suma de sua vida. Abraços, Seu Tédio."

Petrópolis, 15 de maio de 2006.

postado por THIAGO às 11:19

Quarta-feira, Maio 10, 2006

A ELIETE ESTÁ?

Aqui no Canis, tanto o Rafael quanto o Betão já foram agraciados com as ligações por enganos mais bizarras em seus celulares. Chegara a minha vez.

O dia inteiro de trabalhos e aulas intensas. Contribuía para o turbilhão de minha mente uma febre latente. A brisa agradável do inverno me lembrava o continente antártico. Já passava das oito da noite e havia um contrato a cumprir: tomar cerveja com grandes amigos em despedida do apartamento deles no Flamengo.

Entretanto, bati meu recorde negativo. Consegui beber somente cinco copos de chope, os quais, ao contrário do imaginava, não fizeram as vezes de remédio. No apartamento, piorei. Mobilizei a pobre de minha tia a tratar de um enfermo adulto. Meus dentes eram a sonoplastia de uma metralhadora Thompson (não chegava a ser uma AK-47). 39 de febre.

O único cobertor de lã fora do armário, em todo o bairro de Copacabana, estava sobre mim. Infelizmente, o remédio ainda não fazia efeito. Tentava delirar como Raskolnikov, em Crime e Castigo, mas nem isso conseguia. Joguei alguns minutos de um joguinho no celular e dormi. O celular ficou numa cadeira ao lado de meu leito. Sentia frio, ardia, pensava nos herdeiros em potencial de meus pequenos pertences: As camisas de futebol e os livros sobre Copa do Mundo, iam para meu primo; o meu armário inteiro passaria de vez ao meu irmão mais novo; Os Cds para meu irmão do meio. O Canis faria um belo conto em minha homenagem: Thiago 1978-2006. E imprimiria minhas crônicas, talvez.

Consegui dormir e ao mesmo tempo iniciar a sudorese. Aí, o celular vibra. Número desconhecido, barulho no ambiente e uma voz feminina. "Poderia fala com a Eliete?" Fui educado. "Moça, não é este celular, foi engano", "Ah, desculpa".

Do desligar ao outro toque foram menos de dez segundos. Duas da manhã e a Eliete é procurada no meu celular pela mesma garota. Desculpou-se com mais veemência e fui mais simpático ainda sugerindo a mudança do prefixo interurbano.
Na próxima, já passaria a contar algumas verdades sobre a Eliete. Eu começava a encharcar o lençol, porque minhas camisas já assim estavam.

Vibrou novamente e era uma mensagem:
Eli, já to na porta te esperando bj Mari

Aí respondi:
Mari, se liga.Pq vc acha que ainda não te encontrei, garota. Pense nisso, vc sabe a resposta.

Não houve mais perturbação a não ser na cabeça da Mari. Já estava na hora dela saber com quem se metia. Eliete não é flor que se cheire!

Petrópolis, 10 de maio de 2006.






postado por THIAGO às 09:17

Terça-feira, Maio 02, 2006

CUIDADO, ESTÁ FRIO PIÁ!
Vejo numa das frases dos meus colegas literários: "Frio da peste". Ela está em Curitiba. O que precisava para contar um causo.

Dez horas em um Opala azul metálico a álcool e a família chegou à Curitiba para o segundo casamento de minha tia. (O casamento acabou, mas nos deu um primo muito gente boa com quem divido o quarto ultimamente). Veranico de maio, ou seja, um sol lindo, mas temperatura glacial.

Dormimos no Colégio Sacrè Coeur de Marie, onde minha tia-avó nos reservou bons quartos. Tinha 13 anos e minha principal, senão única atividade, era o futebol.

Na manhã seguinte, após o café, pedi em vão para que me emprestassem uma bola para jogar em um dos vários campos disponíveis, só para mim e com balizas que tinham rede (esse fator é maravilhoso para quem joga bola). Não tinha companheiros para jogar e nem uma freira bondosa para me indicar o local onde o material esportivo era guardado. Decretei-me a missão.

Fugi pelos corredores e achei o quarto de desporto. Trancado, porém, sem me impedir de adentrar, pois não havia teto. Achei bolas de borracha para fins fisioterapêuticos e uma bola de couro um pouco murcha; foi ela mesmo. Pulei de volta, avisei aos meus pais e às freiras, encantadas com minha determinação.
Entretanto, a servente principal me alertou:

-Piá, veste uma calça porque não vais suportar o frio!

Além de não ter entendido o "piá", achando que fosse uma interjeição de espanto, declinei o pedido alegando estar muito acostumado a jogar no frio. Abri a porta e passei para o lado de fora.

Bem, e agora, como demonstrarei o lá frio que senti somente por minhas reles palavras?
Sabe quando colocamos a mão em um isopor cheio de gelo e nossas mãos ficam anestesiadas até tirar a latinha de cerveja? Então, imagine todo o seu corpo mergulhado nisso de uma instante para o outro.

Tentei correr para um facho de sol matinal, o ineficaz sol matinal, e parecia que havia recebido um raio congelante de um inimigo de super-herói. Compreendem? Aquele que deixa o herói paralisado na posição de corrida.

Por sorte, aos poucos, o meu corpo parecia se aquecer e me levar a uma das quadras. Corri, suei, me aqueci, mas a cada parada voltava o frio. Aproveitei a sensação térmica suficiente para me locomover e em poucos minutos voltava para o prédio principal.

Futebol em Curitiba, só ao meio-dia, e de calça, piá!

Petrópolis, 2 de maio de 2006.

postado por THIAGO às 11:56