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Crônicas, contos, artigos, escritos em geral. A nossa cara à tapa pelas letras.
Desde de 2003
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As
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Sagrado pensamento profano
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Última atualização: 28/05/2007 |
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Terça-feira, Maio 20, 2008
TRILHA SONORA LITERÁRIA
E eu achando que ver um filme antes de ler o romance no qual foi baseado era o que me atrapalhava a imaginação durante a leitura, ou seja, as personagens do romance lido adquirem a cara dos atores escolhidos para a película.
Para ficarmos com dois breves exemplos: No romance Germinal, de Emile Zola, Toussaint Maheu, o francês operário das minas nos arrabaldes de Lille é o Gerard Depardieu; e no conto de Thomas Mann, Morte em Veneza, o professor de literatura, Gustav Aschenbach, é Dirk Bogard, no filme de Luchino Visconti, que, na brilhante produção do diretor italiano, é professor de música.
Quero, contudo, falar de rock! As Aventuras de Tom Sawyer, do norte americano Mark Twain, teve a regência da banda canadense, Rush, de música homônima. Foi um romance de leitura rápida, mas toda a vez que o retomava em minhas mãos vinha a introdução de Tom Sawyer sonoro, na batera de Neil Peart e guitarra de Alex Lifeson. E ainda me lembro quando Tom e seu amigo, Huckleberry Finn, se arriscavam a navegar pelo Mississipi sozinhos, vinha o refrão, na voz, baixo e teclado de Geddy Lee:
“The world is the world/ love and life are deep/ maybe as the sky are wild”
E isso tudo, pasmem, sem pensar no Mac Gyver, Profissão Perigo. Incrível!
O americano Hermann Melville nem pensava que seu romance mais famoso seria Moby Dick. Tão famoso que não só teve uma produção para o cinema e também uma música, que os fãs de Led Zeppelin sabem. John Boham protagoniza um dos mais extensos e competentes solos de bateria, pelo menos em minha opinião de admirador, não de especialista. É assim que visualizava uma das tantas cenas de caça ao terror dos mares do atlântico, a cachalote branca, ludibriando Peleg, Quiqueg, e o protagonista, “chamai-lhe Ismael” à bordo do Pequod. Principalmente quando o místico Capitão Acab, gritava:
— Viste o Cachalote Branco? — era quando começa o batuque de Boham.
Acinte mesmo foi não ter, ainda, terminado On the Road, de Jack Kerouac, porque só ecoava na minha cabeça Born to be Wild, do Steppenwolf. Por que isso é um absurdo?
Não devia confundir um título On the Road – Pé na estrada, só por eu associar com as aventuras de Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Denis Hopper) no filme Easy Rider. Nada a ver. Até porque, se fosse associar música ao romance beatnik de Kerouac, teria que ser jazz ou mesmo a ópera Fidélio, de Beethoven. E, ainda, caso fosse associar Steppenwolf com literatura, O Lobo da Estepe, de Herman Hesse, está aí para isso.
Ademais, há no próprio rock a geração beatnik!
O mais grave, a meu ver, é sempre que vejo a lombada de um das coletâneas de contos de terror de Edgar Alan Poe, me surge um verso apenas: “Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe.” E continuo o finalzinho de I am the Walrus, dos Beatles
Complicado.
Teresópolis, 20 de maio de 2008.
postado por >THIAGO
às 09:20
Segunda-feira, Maio 12, 2008
ENTENDEMOS
— Sinceridade: qual é a graça, hein? Vai ficar fazendo esse joguinho ridículo com o cara? Eu não entendo; não faz sentido.
— Posso terminar de falar primeiro?
— Ah, estava interrompendo seu raciocínio? Não sabia, peço perdões. Talvez eu não saiba ainda conversar com uma mulher...
— Termina essas reticências. “Com uma mulher o quê”?
— Bonita, inteligente e minha amiga desde criança.
— Bondade sua, querido.
— Não sei se a questão é a de conversar com mulher sobre essas coisas. Mas com alguém que, além de mulher, já namorou dois amigos meus e agora está caminhando para a mesma situação com um terceiro. Pode parecer que nossa história seja de homem para homem, ou só de ser humano para ser humano, mas somos de sexos diferentes, entendeu?
— Claro que entendi, quer dizer, entendi o que você... Ah, pára, deixa eu te explicar.
— É isso que quero. Querendo ou não, tenho que ver o lado do cara.
— Agora é você que está me interrompendo.
— ...
— Posso continuar?
— (Campeão, mais duas long-neck aqui para gente). Pode, continue.
— Então. Ele quer uma coisa séria, um compromisso. E eu não estou nesse feeling, sabe?
— ...
— Não vai falar nada?
— Bem...
— Pára com esse riso, garoto! Grr... que ódio! Odeio quando você ri com essa mão no queixo. Tira essa mão daí!
— Só tirei-a para servir a cerveja, tá?
— Tá bom, eu não mando em você! Mas é isso: coisa séria para mim, agora, pô cara, tô fora!
— Hum... “está fora”. E quando que ele falou sobre compromisso-coisa séria?
— Ele não falou... é que...
— Portanto, você deduziu os sentimentos dele.
— Deixa eu falar, que saco!
— Calma.
— Estou calma, só estou de saco cheio disso!
— Desculpa, não te incomodo mais.
— Não é de você, idiota, é dessa situação. Dessa parada, mais uma vez. Onde estava mesmo?
— Tentando me explicar como deduziu que ele quer compromisso-coisa séria.
— Ah, pô, é que, tipo.
— Sim.
— Ele já me deu quatro caronas para a faculdade aqui; falou no telefone com minha mãe; gravou um DVD do “Tropa de Elite” para meu irmão, que se amarra nessas coisas; me levou para tomar um chope no Devassa. Pô, e semana passada a gente foi ao show da Mart’nália no Circo Voador. Pô, pára né? Programa de namoradinho.
— Transaram?
— Não, imbecil! Dãã! Claro que transamos, ou você acha que ficamos só de beijinhos com 23 anos de idade?
— Sei lá. Não sei qual é a do cara em relação a isso.
— Ai, vocês só pensam nisso. O que falo é coisa séria.
— Nós que só pensamos nisso? Uahaha, tá bom... (Mais uma cervejinha, amigo, fazendo favor). Ó, só perguntei por perguntar, para saber se faltava isso para você tomar decisões, mas vejo que disse “coisa séria”.
— Quando que disse isso?
— Ali em cima, se alguém escrever nossa conversa agora, ou, há um minuto.
— E foi legal, mas isso... sério.
— Ele te liga muitas vezes?
— Hum... até que não. Quanto a isso, tudo tranqüilo. O negócio até que está bom desse jeito. Mas sei lá, sabe? Se engajar... não tô na onda de seriedade. Peraí, o celular. É ele! É só falar que aparece.
— Atende então, ué?
— Oi... tudo bom? (É ele).
— Você já disse isso.
— ... sim, daqui a pouco começa a aula. Tô aqui com aquele meu amigo, que estudou contigo no Santo** ... tá, (mandou um abraço para você).
— Outro para ele.
— ... e aí? ... sessão das nove, né? ... tá... não, pô, beleza, tá de boa, sem problema. Isso... é... fica para a próxima então, se não der a gente espera chegar em DVD. Ah, o pessoal está bem, todo mundo legal lá em casa. Caramba, o garoto não pára de ver aquele DVD que você deu para ele. Quer até agradecer pessoalmente... hum... então tá né? Divirta-se lá, beba com a galera mesmo... é, eu te ligo também. Beeeijo, tchaaau!
— ...
— Tem cerveja aí ainda?
— Claro, você nem tocou no copo.
— Ele desmarcou o cinema no sábado. Vai a um churrasco da galera dele, coisa rápida, ele disse, mas pode não dar tempo de pegar a sessão das nove. Tira essa mão do queixoooô!
— Uahahaha!
— Ai, que ódio de vocês, garotos! Sempre tem um churrasco com a galera. Que galera é essa? Por que não me chamou para lá? Essa sua cara me irrita, moleque!
— Mas não tô falando nada, ué!
— Vamos para a aula, vamos. Vamos pagar logo isso.
— Vai lá, eu pago aqui depois.
— Você não vai?
— Não tenho o primeiro horário hoje.
— E vai ficar aí bebendo?
— Ainda não pensei sobre isso.
— Bem, eu tenho aula e tô atrasada. Beijos... vai ficar aí, calado? Que você tá pensando? Eu já falei, não quero nada sério agora.
— ... vem coisa boa por aí. A festa de casamento vai ser demais! Do casamento de vocês.
Petrópolis, 12 de setembro de 2007.
postado por >THIAGO
às 09:15
Sábado, Maio 03, 2008
CONOTAÇÃO E DENOTAÇÃO
(não necessariamente nessa ordem)
1. CLIMA
a)
— Que chuvinha boa, hein? Estava precisando!
— De vez em quando é bom, não assim: há quase uma semana que duvido da existência do sol. Além do frio...
— He he... é mesmo! Mas esse tempinho é muito bom! Opa, só um minuto, espere. Oi amor, que bom que você ligou, já está pronta? Sim, estou aqui, perto da portaria, conversando com um amigo... sim, pode descer, te espero na escadaria. Para você também.
— Vai lá, cumpádi, a gente se fala.
— Não vai sair, não?
— Hoje estou devagar.
— Beleza, e o churrascão semana que vem, hein?
— Tá marcado, comprei até um isopor novo, dá 48 latinhas.
b)
— Pô, pensei que você nem viesse mais! A galera está toda aí. Olha o sol, ele existe. Dia lindo.
— É...
— Você está bem, cara? Vai lá dentro, te empresto um short, vamos beber.
— Valeu, obrigado. Esse calor está insuportável.
— Mas, não está tão quente assim... Ah, entendi. Brigou de novo, né?
— Foi nada não, vamos curtir...
*Clima ruim só existe quando estamos em um clima ruim.
2. CORAÇÃO
— Foi... de uma hora para outra. No hospital, não adiantava mais nada.
— É barra pesada mesmo.
— Fico pensando é na família, sabe? Nós, alunos, sentimos muito, mas a família, inconsolável.
— Enfarte fulminante, o próprio nome já diz. Não tem como.
— E ele estava benzão... quer dizer, aparentemente. Vai saber se o coração dele já não tinha problemas.
— Pois é, e o coração dele também.
— Como assim? Ah, o amor. Pode ter sido por isso também. Dizem que ele estava se separando.
*O homem pode morrer do coração e também do coração.
3. SONHO
— Tem certeza que você se dedicou a tê-la?
— Ih... já, já tentei tudo, me abri para ela. Enchia o saco até. É um sonho conquistá-la. Fiz minha parte, pelo menos.
— Sendo assim, mermão, é deixar rolar e partir para outra. Sei que é difícil, vocês, pelo que vi, tiveram bons momentos juntos.
— Não dá mais, o problema é esquecer. Até sonhei com ela esses dias. Sonho tranqüilo, nada de bizarro.
*O que é um sonho não consegue sair de nossos sonhos.
Teresópolis, 3 de maio de 2008.
postado por >THIAGO
às 08:06

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