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Crônicas, contos, artigos, escritos em geral. A nossa cara à tapa pelas letras.
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Última atualização: 28/05/2007 |
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Sexta-feira, Setembro 05, 2008
CANDIDATO E PANFLETEIRO NA MESMA PESSOA
Você, meu paciente leitor, — que agora é lembrado como cidadão e eleitor, ou seja, uma importantíssima célula de nossa nação — se você acabou de chegar em casa, no trabalho ou em uma LAN HOUSE, preste atenção se todos os seus pertences estão em sua posse. Carteira, os objetos na bolsa, celulares e afins tecnológicos etc. Machado de Assis já nos alertava sobre isso no fim do século XIX.
Os candidatos estão aí, não falando de suas propostas e de suas intenções caso entrem na câmara dos vereadores ou no palácio do poder máximo do município, mas pedindo seu voto, quase mendigando. Tente parar um deles na rua, quando for abordado para receber um panfleto, e pergunte sobre sua campanha, sobre suas idéias. A maioria foge, finge que nem ouve.
Eu os desafio! Em Belo Horizonte, enquanto tomava uma cerveja em uma lanchonete da Rua Manaus, (a igreja Santa Efigênia, imortalizada pelas aventuras de Fernando Sabino, soava a música da hora de Ave Maria) recebi meia dúzia de santinhos de um candidato a vereador. Comuniquei-lhe que não votava lá, mas quis receber sua mídia. Disse-me, resignado:
— Sou candidato porque o pessoal do restaurante disse que eu poderia ganhar, minhas idéias são excelentes para Educação e Emprego. Vamos ver, né?
Na Praça XV, fui perguntado por um se eu estava satisfeito com a segurança pública e com a polícia na cidade do Rio de Janeiro. Temperatura Saara Celsius, uma da tarde. Olhei em volta para ver se não tinha um departamento de pesquisa da PM a fim de averiguar minha resposta. Ela seria imediata: “Claro que não, meu senhor”. Mas disse:
— É, né? Parece que tem algumas coisas que precisam ser...
— Então, vote neste aqui! A cidade vai mudar, mais segurança para todos os cidadãos! Ta beleza?
— Sim, mas... — e partiu para abordar outra vítima.
Não ouvindo minhas perguntas, nem olhei a cara do candidato no papelzinho. Até porque, acredito que a segurança estará em boas com um candidato de Teresópolis:
ARANHA. E ele ficará feliz com minha propaganda gratuita! Em seu cartaz, sua cara divide com a do próprio homem-aranha, transformando o cartaz do primeiro filme do herói, quando era o Tob Maguire (Peter Parker) que dividia a face com o herói. Só isso mesmo, Aranha.
Ele não aparece nas ruas, não fala nada no horário eleitoral, não aparece nos diários da cidade. É apenas o Aranha. Se soubesse, quase mudaria meu voto para cá, pois seria o começo da verdadeira segurança.
O espaço aqui não permite escrever mais, porém, deixo com vocês como seria a performance política do Aranha, na câmara dos vereadores em Teresópolis.
Teresópolis, 5 de setembro de 2008.
postado por >THIAGO
às 10:04
Segunda-feira, Agosto 25, 2008
Redação de estudante carioca vence concurso da unesco com 50.000 participantes
Tema: “Como vencer a pobreza e a desigualdade”
Por: Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro – RJ
“PÁTRIA MADRASTA VIL”
Onde já se viu tanto excesso de falta?
Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios? Então aí está! O novo nome do nosso país!
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão, se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura.
As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra?
De que serve uma mãe que não afaga?
E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'.
A redação de Clarice intitulada “Pátria Madrasta Vil” foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.
postado por >Rafael Marçal
às 08:47
Terça-feira, Agosto 19, 2008
O mundo é uma merda mesmo!
Não, não sou punk ou anarquista, não pretendo levantar bandeira alguma de revolução e embora tenha uma camiseta com Che Guevara estampado nela não sou simpatizante por nenhum movimento radical de esquerda.
Mas estamos em época de política e agora que tenho mais consciência do que move e motiva as campanhas e candidatos, fico frustrado ao constatar que o mundo é uma merda.
Mas a novidade não é que os políticos são corruptos. Não! A minha descrença pelo mundo é porque: Quem descobre as falcatruas da política, as vantagens que eles obtêm com os cargos públicos, quem sabe o quanto de dinheiro é surrupiado da população com esquemas de troca de favores para a manutenção de um ou a promoção de outro não se preocupa com a sua responsabilidade social nesses casos. Apenas se interessam em entrar no esquema.
O que você faria se descobrisse que um amigo seu passou em um concurso da prefeitura da sua cidade porque apoiava um candidato a vereador que fora eleito? A resposta ética é muito óbvia, mas na prática você vendo ele trocando de carro, reformando a frente da casa e pensando em investir na bolsa gozando de uma impunidade que só vemos no Brasil deixa a resposta atravessada.
Afinal ele não deixa de ser seu amigo. Afinal ele pode fazer com que você entre no esquema também. Afinal todos têm um preço.
Sinto-me orgulhoso por ter coragem de dizer que fiquei tentado a me "vender", cheguei a cogitar a idéia mesmo, mas fui austero o suficiente para me afastar disso, embora ainda lute contra a idéia do dinheiro fácil por conta do sono difícil.
Não me gabo disso, só queria compartilhar com vocês o que acho da política de hoje, do papel de cada um de nós nela e desejo que cada um consiga, conscientemente, evitar alimentar essa corja. Não aceito favores, nem brindes cheios de marketing e só abro exceção em casos de extrema necessidade.
Não julgo também quem aceita participar disso, só rezo por vocês todas as noites, o Brasil poderia ser melhor se os brasileiros pensassem no Brasil e não no próprio umbigo.
postado por >Rafael Marçal
às 10:04

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